Hoje foi o dia da dinâmica para uma cargo no Senac, cargo tal que, confesso, seria de grande ajuda pra resolver alguns dos muitos pequenos problemas que arranjo pra mim mesmo, e essa foi uma das tantas coisas que me deixaram extremamente ansioso durante esses dias, e como não poderia deixar de ser, a minha mente disparou como uma metralhadora de conjecturas e suposições, julguei cada decisão que tomei nos últimos anos, tentando medir o meu karma, tentando assim descobrir se era merecedor ou não, ou se essas duvidas iriam acabar me condenando a falhar, ou se os deuses iriam me castigar pelo apego a matéria, ou se na realidade estava em uma grande viagem, em um louco fluxo de ansiedade, fazendo uma serie de conjecturas incoerentes.
No entanto ontem, no auge de minhas duvidas e inseguranças, atrás de alguma resposta, algum alento, acabei abrindo o Taro pra mim mesmo, e antes que me pergunte, sim, leio Taro de VERDADE! E essa é uma das poucas coisas que digo fazer e que realmente faço, mas antes de continuar, preciso explicar que isso não é adequado, um tarólogo não deve ler um jogo pra ele mesmo, o seu subconsciente deturpa a leitura, e não foi diferente comigo. Logo após a abrir as cartas e ver que não saiu o que esperava, minha mente se fechou para a leitura, o único conselho que me foi dado é “sabedoria”, “sabedoria?”é o típico conselho que sua avó lhe dá, “como assim ‘sabedoria’?” Isso qualquer um poderia me dizer.
Fui dar uma volta pra pensar melhor, nada. Fui pra casa, tentar dormir, tentar, por que durante toda a noite tive pesadelos em que chegava atrasado ou não me saia bem na dinâmica, de diversas formas bizarras e vergonhosas.
Acordei, ATRASADO, banho, fiz a barba, roupa social, peguei uma maçã, um ônibus e dois trens lotados. Zona sul, estação Jurubatuba, corro pro SENAC e chego à sala, atrasado!
Hora de me apresentar. Falo o meu nome, minha voz sai fina e a gagueira, superada desde os meus nove anos, decide voltar com toda a força, e logo após as apresentações percebo que esqueci o desodorante! Pronto lá estava eu, o cara atrasado, gago, com voz de menininha, fedido e banguela, sim banguela, por sortilégios, que só um quarto em completo estado de caos pode te oferecer, acabei pisando em cima do meu aparelho ortodôntico, que tinha que usar temporariamente, ate finalmente terminar o implante dentário. Bem, mas assim ele se partiu em dois, na véspera da difamada dinâmica, ou seja, estava na merda e precisando de um dentista!
Mas na merda, acabo ficando estranhamente calmo, afinal de contas o que se tem pra fazer em uma hora dessas?
Mas sim, estava calmo, calmo o bastante para seguir em frente na dinâmica, nos debates e nas resoluções, até que finalmente um dos motivos de minha insegurança surgiu das trevas para me perturbar novamente, A Redação. Travei diante ao meu velho adversário e do meu medo, prorroguei o máximo que pude, resolvi os testes, e depois revisei tudo, mas como tudo na vida, não se dá pra fugir por muito tempo dos problemas, me enchi de coragem e fui ao combate contra esse velho e maligno mal feitor.
Texto simples e direto, abordando o tema da educação, doce ironia.
Sai de lá rezando para não ter errado de forma acintosa, mas uma coisa não saia de minha mente, o jogo, ele de repente fez sentido, um sentido muito mais profundo, as cartas me mostravam que hoje teria as minhas mascaras derrubadas, a verdade exposta, a verdade sobre as minhas inseguranças, que residem em minha falta de habilidade e pratica em alguns termos básicos do cotidiano, como escrever, por exemplo, e a minha falta de ação diante de alguns obstáculos.
Sendo assim, decidi tomar uma atitude. Não vou mais aceitar me sentir incapaz perante os obstáculos que a vida me propõe, começando com a minha forma de expressar os meus pensamentos, já que qualquer construção de idéias, seja para o cinema, teatro, musica ou qualquer outra forma de arte começa no papel, na forma da palavra escrita, e somente dessa forma a palavra consegue superar os limites do tempo e do espaço.
Quero ser livre para passear nesse tempo e espaço.
Bem aqui estou, no final de um dia bem estranho, o cara estranhamente calmo, por estar na “merda”, dando mais um passo na direção de um lugar melhor na vida, e em mim mesmo.
Voltando pra casa, pus em pratica tudo que aprendi hoje, peguei o meu caderninho e a lapiseira, esse texto disparou sobre as pequenas folhas de papel, durante o caminho ate a estação Jurubatuba, zona sul, dois trens e um ônibus, não tão lotados agora, e foi assim ate perceber que o ônibus já estava parado a mais de quarenta minutos no mesmo lugar, finalmente me dei conta que os ótimos engenheiros do eficiente governo do estado de São Paulo, que estão reformando a saída da Anhanguera, importante meio de entrada e saída do meu bairro, fecharam a única saída, ou seja tudo parou. Mas estava tão animado com o esse texto, que nem liguei muito de caminhar 7 km a pé nas ruas de Pirituba, de baixo de um sol forte, vestido socialmente, super confortável. Deu tempo para repassar e repassar e repassar todo o futuro post.
Agradeço a quem leu até o final e se quiser deixe um comentário.
Mas agora tenho que ir ao dentista, satisfazer o desejo sórdido que o bisturi tem em penetrar na minha gengiva.
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